domingo, 29 de março de 2009

Teatro do Oprimido : uma tentativa

"O teatro do oprimido parte do princípio de que todos os seres humanos
fazem teatro inconscientemente em suas ações cotidianas. Tomar consciência
desse potencial teatral é o que caminho apontado para que grupos que estão
à margem da sociedade façam valer seus direitos."
(trecho retirado de uma reportagem feita sobre o teatro do oprimido)

Assim como tomar consciência de que para tudo que é dito existe uma ação, seja ela
física ou não, e que utilizar a linguagem partindo desse pressuposto é também uma maneira
desses grupos marginais mostrarem seu corpo e sua voz.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Bia Krieger

Bia Krieger é uma cantora brasileira, que vive entre França e Brasil. Muito sensível e forte. Faz bem ouvi-la.

A Má Reputação

No meu bairro, sem pretensão
Tenho horrível reputação
Todos gritam quando eu me calo
E se escandalizam quando falo
E eu que não pensava que era pecado
Evitar a trilha onde anda o gado
Mas a gente detesta quem
Não segue as ordens de ninguém
Essa gente detesta quem
Não segue as ordens de ninguém
Todos me chamam de indecente
Tirando os mudos
Naturalmente

Quando enterram o presidente
Fico na minha cama quente
Que me importa se o rei morreu
Viva o palhaço e viva eu!
E eu que não pensava que era pecado
Ser indiferente a um engravatado
Mas a gente detesta quem
Não segue as ordens de ninguém
Essa gente detesta quem
Não segue as ordens de ninguém
Todos apontam pro indecente
Fora os manetas
Naturalmente

Se um garoto rouba um melão
E um rico grita “Pega ladrão”!
Não resisto e passo rasteira
E olha o doutor lambendo poeira!
E eu que não pensava que era pecado
Ajudar o menor abandonado
Mas a gente detesta quem
Não segue as ordens de ninguém
Essa gente detesta quem
Não segue as ordens de ninguém
Todos perseguem o indecente
Fora os pernetas
Naturalmente

Não preciso um mago Merlim
Pra saber qual será meu fim
No meu bairro à noite se escuta
“Lincha, lincha o filho da mãe!”
E eu que não pensava que era indecência
Seguir o caminho da consciência
Mas a gente detesta quem
Não segue as ordens de ninguém
Essa gente detesta quem
Não segue as ordens de ninguém
Todos verão meu funeral
Tirando os cegos
É natural!

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Pensamentos e Ações

Tenho andando sem saber como escrever o que vejo, o que sinto, o que vivo. É fato que viver é ir apre(e)ndendo algumas coisas por onde andamos. Coisas do tipo olhares que cruzam, sentimentos que nos interpelam, perdas e ganhos que vão sendo coletados (quais são jogados fora?). Tenho pensando sobre profissões, sobre arte, sobre quem pode ter e quem não pode ter dinheiro... sobre minha organização diária, sobre os tons, timbres, notas e arranjos musicais que (me) tocam... qualquer movimento do meu corpo por exemplo, já é um caso a ser estudado, mas tem-se que considerar a ciência, afinal, é ela que nos torna "homens", e algumas vezes tornam as mulheres também homens da ciência.
...
Pra mim, é a arte (enquanto pofissão e vida) que me leva à mais agradável estadia na terra - até que a morte nos separe - porém, boa parte do que é dito científico leva ao dinheiro, e a arte muitas vezes leva à periferia das relações sociais, que por sua vez levam também ao dinheiro.
...
Precisamos construir um novo tipo de público. Será que todas as pessoas que perambulam por aí só conseguem (ou só são permitidas a isso?) assistir, escutar, participar e agir (quando agem e participam) através de um só modelo de arte? Talvez poderíamos tentar fazer com que homens, mulheres, crianças de todas as classes, raças, nações e demais orientações de vida particulares tivessem vontade de arriscar algo outro, que também ensina, que também as/os fazem movimentar-se no espaço.
...
A culpa, o pecado, esses certo e errado devem ser urgentemente reavaliados! Pena que essa é uma idéia de poucos, pois muitos satisfeitos estão em continuar o modo "global", "organizado", "civilizado" e "saudável" de ser. Talvez seja mais fácil olhar para uma só parte do universo né?

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Para que serve a arte?

Acho que o que falta, é parar um pouco de colocar a arte dentro de um espaço fechado aos que têm mais facilidade de entrar em contato com ela. Acho que nunca paramos para perguntarmos às pessoas "comuns" o que elas acham da arte? O que elas pensam em relação à sua funcionalidade? Para quê elas acham que a arte é útil(ou pode ser útil)? E quem sabe, depois de fazermos essas perguntas, motivá-las a perceber na arte um instrumento, assim como a medicina ou tecnologia, que ajuda a melhorar a vida das pessoas dentro da sociedade.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Uma pergunta:

"De um lado se afirma que a arte é pura contemplação e de outro que, pelo contrário, a arte apresenta sempre uma visão do mundo em transformação, e, portanto, é inevitavelmente política, ao apresentar os meios de realizar essa transformação, ou de demorá-la. Deve a arte educar, informar, organizar, incitar, atuar, ou deve ser simplesmente objeto de prazer e gozo?"

Augusto Boal

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

A arte deve pensar na sociedadade?

"Trata-se de recomeçar a arte a cada momento das práticas artísticas, porque a forma desta deve ser resultante da forma de vivência que ali se exprime"

Observando algumas produções artísticas dos últimos tempos, percebi que faltava algo, parecia que aquele momento artístico não chegava nas pessoas, não causava efeito, às vezes por não entenderem, outras por não gostarem da "escolha estética". Então começei a pensar: parece que os e as artistas muitas vezes esquecem, ou não sabem lidar com quem a consome: a sociedade. E tenho uma pergunta: será que os/as produtores/ras artísticos/cas conhecem ou ao menos tentam conhecer a sociedade em que eles e elas vivêm?E: é necessário fazer arte pensando na constituição de quem usufrui dela?